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Mercado de trabalho na pandemia é desafio para nossos jovens

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Mercado de trabalho na pandemia é desafio para nossos jovens

A dura realidade do desemprego ainda faz parte da vida da família de Daniel Paiva Lopes, de 22 anos. Ele vive com parentes em uma casa no bairro Cristo Redentor em Fortaleza. Todos estão fora do mercado de trabalho em, pelo menos, algum momento desde a eclosão da pandemia de Covid-19 e o pai perdeu o emprego no início de 2021.

O próprio Daniel passou cerca de um ano e meio buscando emprego desde que concluiu o ensino médio. O jovem engrossava, até sete meses atrás, as estatísticas que apontam uma taxa de desocupação, entre os profissionais com idade entre 18 e 24 anos, mais de duas vezes superior à média geral da população economicamente ativa.

Esse também foi o grupo populacional que mais viu crescer os índices de desemprego em relação ao ano anterior, quando a desocupação entre os jovens era de 23,8%. Isso representa um aumento de seis pontos percentuais em apenas 12 meses, o maior entre as faixas etárias pesquisada no levantamento feito pelo Ipea. Tal período corresponde, em linhas gerais, à primeira onda da pandemia no País.  

Embora tenha sido a força de trabalho mais impactada pela pandemia, os jovens já eram historicamente aqueles com maior dificuldade para arranjar um emprego ou mantê-lo. De acordo com o coordenador do Laboratório de Estudos do Trabalho e Qualificação Profissional (Labor) da Universidade Federal do Ceará, Eneas Arrais Neto, entre as principais explicações para esse fenômeno, além da menor qualificação em relação a trabalhadores com mais idade, está o próprio fato de esse tipo de profissional estar apenas no início de sua caminhada no mercado de trabalho.

Sobre o assunto:

Para Arrais Neto, contudo, há um excesso de foco na questão da qualificação profissional do jovem e faltam políticas públicas para reduzir as taxas de desocupação nessa faixa etária. “A resposta para essa questão é mais social, política e econômica que uma questão individual do profissional de 18 a 24 anos. Imaginemos que todos esses jovens pudessem ser qualificados em alto nível! Isso não geraria um posto de trabalho sequer!”

Apesar disso, o pesquisador admite que uma política de qualificação, desde que focada no aumento do acesso ao ensino superior, pode ter impacto, no médio prazo, para a redução da taxa de desocupação juvenil. “No Brasil, cerca de 15% da população tem ensino superior. Em países vizinhos, esse percentual chega a 30%. Então, quanto maior for essa taxa, mais a pressão sobre o mercado de trabalho cai. Hoje, se o jovem de 18 anos já está buscando emprego é porque sai do ensino médio sem perspectiva de fazer uma faculdade”, pondera.




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